Você já ouviu algum político nessa campanha defender
o incentivo ao teletrabalho como fator de criação de
emprego, diminuição do estresse urbano e melhoria da
qualidade de vida? Pois é. Toda vez que entro em um
escritório empresarial repleto de computadores, com
todo mundo de olho na tela, me pergunto: o que esse
povo está fazendo aqui?
Não poderiam produzir de casa, usando bermudas e
chinelos?
Hoje, 20 milhões de americanos já trabalham longe do
escritório. Ou ficam em casa, ou operam em
telecentros, próximos de suas residências. Nos
Estados Unidos, o teletrabalho é praticado há 20
anos.
O tema trouxe esta semana ao Brasil o especialista
americano Gil Gordon, para uma série de palestras em
São Paulo. Para ele, o teletrabalho é uma opção
seletiva e, por isso, a escolha dos empregados que
irão usufruir desse benefício deve ser baseada em
critérios muito bem definidos pelos dirigentes
empresariais.
Destacam-se, entre eles, a habilidade para cumprir
prazos, a automotivação e a independência para agir.
Segundo o consultor, as maiores barreiras que o
Brasil enfrenta nesse segmento são, principalmente,
a legislação trabalhista, considerada muito complexa
e o preconceito ainda existente por parte dos
trabalhadores e de algumas lideranças empresariais.
Nem todo mundo se adapta com tranqüilidade em casa,
seja pela atividade que exerce, pelo perfil
psicológico ou pelas condições de montar um
escritório. Assim, deve-se selecionar cuidadosamente
os candidatos, começando o projeto por voluntários.
É preciso bom treinamento, dos gerentes aos
teletrabalhadores para que tudo dê certo. Deve se
estabelecer um conjunto de procedimentos de
avaliação que privilegiem o desempenho.
Entre os benefícios para as empresas estão o aumento
de produtividade dos empregados, a redução da
demanda de locais para escritórios, a melhor
administração, a flexibilidade organizacional e mais
motivação dos funcionários.
Para a sociedade, pode-se afirmar que teremos o meio
ambiente mais limpo, com menos carros circulando
pelas ruas. E menos custos por empregado, criando
mais empregos e, inclusive, permitindo que as
atividades sejam desenvolvidas nas cidades vizinhas
aos grandes centros.
Para o teletrabalhador, o destaque é o convívio
maior com a família e a melhora sensível da
qualidade de vida.
Por trabalhar há dois anos em casa, posso dizer que,
no meu caso, a produção é maior. É necessário,
porém, criar uma rotina e manter o convívio social -
encontros constantes para almoços e caminhadas.
Nos dias de chuva e de grandes engarrafamentos, é
uma dádiva